segunda-feira

Vai passar



Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
 Caio Fernando Abreu

quinta-feira

Dear Katie



"Então, querida Katie, o que tem feito ultimamente? Tenho ouvido falar que tudo está errado. Vejo que não tem feito muito do que eu sugeri. Nós tentamos tanto, e você sabe bem disso. Aproveitamos tudo ao máximo enquanto durou, ou como dizem, vivemos cada dia como se fosse o último. E eu agradeço, todos os dias, por esses momentos tão maravilhosos que passamos juntos. Queria eu poder estar ai neste momento para vivê-los novamente. Tanto tempo se passou e parece que foi ontem que tudo aconteceu. Você sabe que ninguém teve culpa por aquilo. Simplesmente aconteceu, nosso tempo acabou. Fomos forçados a nos separar. Não podemos ficar assim, temos que refazer as nossas vidas, você principalmente. Isso é necessário querida Katie. Será que não percebe? Eu mantive a minha promessa e espero que mantenha a sua. Eu acredito em você. Sempre acreditei.
Estou lembrando-me agora de como costumávamos ser quando éramos jovens. Algumas pessoas costumavam sorrir. Nós segurávamos as mãos no parque. As coisas simples que homem e mulher dividem. Oh, me perdoe, estou sendo muito sentimental, e você nunca gostou disso. Pelo menos pelo que eu me lembro. Mas isso era apenas uma máscara que você mantinha perante as outras pessoas. A minha Katie, a que apenas eu conhecia era tão sentimental quanto eu, divertida, feliz, ingênua, solidária... Ah! Coisas que as pessoas não sabiam que você poderia ser. Acho que elas ainda não sabem, não é mesmo Katie? Será que não está na hora de todos saberem quem é a verdadeira Katie? Pense sobre isso. É um dos seus deveres: mudar para melhor. Não estou dizendo que você está ruim assim, mas digamos que poderia melhorar, e muito. 
Mas pergunto a você novamente, o que tem feito da sua vida querida Katie? Fique feliz e eu ficarei. Divirta-se eu eu me alegrarei. Não direi a você para me esquecer. Eu sei que você não conseguiria. E não, não estou sendo egoísta. Eu apenas sei. Por causa de nossa promessa, ainda lembra-se dela 'querida Katie'? Oh, me perdoe. Como você poderia tê-la esquecido, se a pronuncia toda noite? Perdão! Meu tempo está curto Katie, eu devo ir agora. Ficarei um período longe de você. Devemos nos reencontrar em breve, em alguns anos, quem sabe séculos? Calma, não se assuste. Fique apenas com uma certeza: vamos nos reencontrar. Isso te garanto. Mas por enquanto, querida Katie, eu lhe peço apenas uma coisa, para que eu possa ficar em paz: VIVA!"

Matthew


Dear Katie - James Blunt

domingo

"Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei..."



Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas me diga logo para que eu possa desocupar o coração. Avisei que não dou mais nenhum sinal de vida. E não darei. Não é mais possível. Não vou me alimentar de ilusões. Prefiro reconhecer com o máximo de tranquilidade possível do que ficar à mercê de visitas adiadas, encontros transferidos. No plano real: que história é essa? No que depende de mim, estou disposto e aberto. Perguntei a ele como se sentia. Que me dissesse. Que eu tomaria o silêncio como um não e que também ficaria em silêncio. (...) Anyway, me dói a possibilidade de um não, me dói a possibilidade de um silêncio, me dói não saber de que forma chegar a ele, sacudi-lo dizer me olha, me encara, vamos ou não vamos nessa? (...) Odeio pessoas que dizem mas-todo-mundo-sempre-se-apaixona-por-mim.

Caio Fernando Abreu

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...